domingo, 18 de janeiro de 2009

... Dizendo a hora o local e a razão ...



A Dança da Psiquê
(Augusto dos Anjos)

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!
E então que a vaga dos instintos presos
- Mãe de esterilidades e cansaços -
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos
Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto
Arranco do meu crânio as nebulosas
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!





Houve um tempo em que parar pra pensar e escrever sobre a minha própria vida - e meus amores e dúvidas e sonhos e medos - fazia parte da minha rotina.
Era egocêntrico
era melancólico
era romântico
era diário.

Com a idade resolvi viver viver viver, não mais me preocupando em registrar. Há coisas que é mesmo melhor estar
off the record. Os últimos 8 anos foram muito vividos e menos analisados. Não que eu estivesse sendo menos egocêntrica ou menos romântica, mas o lema foi Carpe Diem por um tempo.

De 2005 pra cá, com a ajuda de amigos que à época me pareceram rudes e incompreensivos, percebi que ainda gastava muito tempo pensando em mim, falando de mim, viajando em mim mesma. Apenas de uma forma menos consciente e organizada. Passei então a olhar pra fora. A imaginar pra onde o cara do meu lado no ônibus estaria indo, passei a ver detalhes nos prédios, nas ruas, na minha própria casa. Passei a fotografar bem. Passei a escrever contos ao invés de poesia.

Fiquei mais leve e mais presente no mundo real. Foi um aprendizado.
Mas sou câncer com ascendente em peixes. Sou água, sou sentimento, sonho, pensamento. Controlo hoje a minha subjetividade, pois não há astrologia que vença a maturidade, mas há beleza no devaneio e pode haver conclusão útil da divagação.

Como gastei - e me frustrei - com agendas não usadas durante todo esse tempo, voltei-me para o diário virtual. Creio que possa ser uma boa brincadeira, uma retomada de hábito, uma fusão dos dois momentos...
Mas ainda egocêntrico
um pouco menos melancólico
sempre romântico
relativamente diário
.

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